100nada

Os anoraks agora são parkas

Adorei ler a palavra “anorak” escrita pela minha querida amiga Ana. É palavra que já não via escrita (ou ouvia) há muito tempo e evoca outras épocas, quando usávamos todos os dias a palavra (e os anoraks).

Agora é tudo parkas, casacos, blusões, mas, quando éramos pequenos, usávamos anoraks no tempo do frio. Eram de penas e vinham de Espanha, os melhores, muito gordos e – a parte mesmo boa e especial – com o forro diferente da parte de fora. Agora penso que não dariam muito jeito para trepar a árvores e andar a correr, aquela camada de edredon toda em cima, mas eu também sempre fui mais bolos e mais contemplativa que activa, por assim dizer. Mais tarde, quando já éramos mais crescidas e tal, armadas em boas, o anorak era peça essencial do guarda-roupa e quanto mais curto melhor. Curto e muito cheio e as pernas enfiadas em jeans apertados e botins de saltos por fora. Umas patas, lá está, mas a acharmo-nos lindas (e realmente também nos achavam lindas, portanto tudo fino por esse lado). E camisolas da Feira de Carcavelos por dentro, com lenços amarrados ao pescoço e as franjas de risco ao lado a tapar um olho. Tudo isso era anoraks, as matinés do Ziguezague no Monte Estoril e do Queens em Cascais (havia outro na Parede, mas escapa-se-me o nome) e a rapaziada toda pela marginal fora de moto sem capacete. Tempos giros, perigosos e mortais. Antes as árvores, trepá-las, rasgar o anorak (vindo de Espanha) e ouvir um raspanete brutal.

Ainda tenho o meu favorito. (e ainda me serve, roeibus de inbeja, aconchegadas e/ou marmanjonas!)

30 thoughts on “Os anoraks agora são parkas

  1. Burning man

    sorry, nada a ver, o comentário acima com este post… era mais ali para os lados do post acima viciada/chata/em/wordle, mas tive um lapsus digitae…

  2. Crezia

    Como a Papoila eu ouvia kispo por todo o lado. E o orgulho com que aos 8 anos eu usava o meu, que era anorak (igualinho aos outros todos mas eu dizia-o mesmo “é um anorak!”), não tem descrição.

  3. catarina

    Burn, acontece muito essa coisa do comento no sítio errado. E esse site é o quê? vai rodando blogs?

    Isa, o kispo, pois era! Mas nunca usei muito a palavra (gap generation?) O Kispo era uma marca, não era? Tipo nescafé, depois passou a designar casacos daqueles.

    Papoila, é memo linda lol, eu cá gosto muito, uso muito :DDD No Palm Beach já não fui (mas ouvi falar).

    Ah pois era, Crezia, isso é que tem graça mesmo: orgulho no anorak/Kispo, o que fosse. Alguma vez um puto agora tem orgulho na parka que usa? Nada, já obrigá-los a vesti-la é um inferno! 😉

    (cena matinal em jeito de pré-post do lado de lá:

    – Queres vestir o gorro?
    – Não!
    – Mas fecha o casaco!
    – Fico muito enchouriçado, não quero!
    – Olha que tá imenso frio, filho, e as luvas?
    – Metes-me o gorro e as luvas e vais ver o que faço quando chegar à escola!
    – Tu é que sabes! Se ficares doente, ainda ficas de castigo que a culpa é toda tua!

    (saída para a rua, correr para o carro, dentro do carro)

    – Tou com tanto frio, main!
    – Bem feita, eu avisei!
    – Tenho as mãos geladas, tou a aquecê-las debaixo do cinto de segurança!
    – Ah poizé! e vais ver como é o resto do dia!
    – Não me deixes sair de casa sem luvas, agora vou trazer todos os dias!
    – Pois…

    :DDDDDDDDD

    Cool, caibo mas não uso, ninguém me apanha num anorak cor de vinho quase cetim brilhante 😉

  4. PreDatado

    Eram anoraks??? Eu tinha kipos mas já era mais crescidote porque quando eu era puto não havia nada disso. Havia era a bela samarra. Quanto a anourak é Marillion, pois claro :)

  5. paula

    olha, só agora li esta conversa de querer agasalhá-los e não conseguir! e inda agora disse o mesmo acima…

    eu por acaso acho que tenho uma ligeira frustração juvenil por nunca ter tido um kispo (qual anorak?!) desses bem cheios de penas na altura em que toda a gente tinha… mas pronto, nada grave.

    agora a I recebeu do pai natal um casacao cor-de-rosa com forro e é para 8 anos (imagina como lhe encaixa bem – parece um cobertor!) e anda encantada da vida!!!!!! pudera com este frio – quando ficar maais quente dá para tirar o forro! olé!

    (mas porque é que ando a ter este tipo de conversa aqui nos teus comentos?!)

  6. ana

    :)))
    O meu anorak é de penas, dos gordos e com o forro diferente da parte de fora (preto por fora, cor de cereja por dentro), só não veio de Espanha.

    Sabes que este ano ainda não passei a ferro? Não, não arranjei uma Etelvina… ;)))

  7. Uma Senhora de Idade Que Passou Por Aqui

    Eu cá não uso anoraks que me fazem sentir enchouriçada, mas nesta coisa de “Acordo Ortográfico-Estilístico” a minha palavra favorita é a Pachemina – ou Pashemina, ou Pasmina, que já vi as três maneiras de escrever – que veio substituir a boa e velha Écharpe (esta também tem sofrido várias mutações ortográficas, como “Encharpa” e “Incharpe”)

  8. catarina

    Pal, essa parte de não teres tido um anorak quando eras pequena, não é recado pra nenhuma outra leitora, não? :DDDDDDDDDD Ah deve estar tão querida, essa miúda, embrulhada em cor de rosa!

    (porque virou meio babyblog, de repente, e tás a comentar como se tivesse a comentar o babyblog post do lado de lá :DDDD)

    ana, sabes que fiquei a imaginar se seria mesmo um anorak ou se seria só a forma de falares da tua parka 😉 Mas é mesmo dos reais, verdadeiros da silva, oh que giro!

    Hum…como não acredito que a rapaziada aí de casa se tenha convertido às alegrias do engomar, das duas uma: ou o ano ainda vai muito no princípio e tás a dar uso ao enxoval todo ou agora aderiste ao serviço Passaaferroelevaacasa. 😀 Boa! Espero bem que sim!

    Querida amiga Uma Senhora, eu também deixei de usar, mas confesso que nestes dias de frio recorri a um antigo sobretudo daqueles azuis compridos de cachemira que já tinha sido do meu Pai e me serve há mais de 20 anos, que é bestial e mesmo quentinho.

    Quanto à pachemina e à écharpe, realmente nunca tinha pensado que uma tenha vindo substituir a outra, já que uso as duas palavras: nas écharpes compridas mais “pacheminadas”, uso “pachemina”, mas continuo a usar a palavra “écharpe” para as mais fininhas, de verão ou assim.

  9. Uma Senhora de Idade Que Passou Por Aqui

    Minha boa amiga, de facto o meu negócio não é trapos, e écharpe é assim um cachecol sem ser prò frio, só pra enfeitar um bocadinho – e as pacheminas foi um nome que só tenho visto na «Tie Rack» (aqui mesmo do Fórum Almada, que não vou ver montras a Lisboa desde o século passado – da última vez que estive na Baixa achei-a tão abandonada, triste e deprimente que fiquei sem vontade de voltar). Se calhar é ignorância da minha ignorante pessoa, não ver diferença entre écharpee pachemina.

    Como odeio ser ignorante, dei um saltinho à Wikipedia e encontrei: http://en.wikipedia.org/wiki/Pashmina (só é pena não haver tradução portuguesa) e ficamos ambas a saber que é um nome giro pra chamarmos àquelas amigas muito especiais porque significa a lã feita com o pêlo de uma cabra que dá pelo gracioso nome de pasmina; aquelas bem ignorantonas vão pensar que a gente tá a compará-las à delicadeza das écharpezinhas, e não que estamos a chamar-lhes “ruminante saltitona com barbicha, e comedora de ervas” 😉

    E fique bem, e um bom ano pra si e prò menino, e já agora informo que o Jogo da Forca lá do Ludotech foi actualizado/aumentado; se o menino ainda se interessa por essas coisas, quando tiver oportunidade de ir pràquelas bandas pode descarregar a nova versão. Beijinhos

  10. Uma Senhora de Idade Que Passou Por Aqui

    Errata:
    «amigas muito especiais» era assim com aquele tracejado por cima, está-se mesmo a ver que é exactamente o contrário (mas o parvalhão do Word Press não percebe nada de tags avançadas de HTML, só conhece o «span style= e coisas assim de modernices).

  11. méri

    Olha só agora li o que a Pal escreveu! Para mim anorak é uma coisa e kispo é outra… devo ser muito ignorante.
    E Pal desculpa lá mas tiveste kispos sim senhora, tu e o teu irmão… até ainda andam lá uns pela aldeia para dias frios…
    Para mim kispo é esses de penas que são também impermeaveia à chuva; os anoraks não são de fazenda com capuz e pipinhos de madeira, com triangulos de couro??? ou estou a ficar …cof, cof… não digo!

  12. Crezia

    Eu usei samarra. Mas já tinha 20 anos e por opção. Andava com a samarra que foi do pai de uma amiga minha e botas alentejanas. Ai foi há tantos kilos atrás, tinha mesmo gracinha na altura.

  13. catarina

    Querida Uma Senhora, é isso mesmo! Para mim écharpe é sempre mais uma coisa leve e bonita de se usar, enquando a outra (a real de lã das tais cabras) é mesmo para aquecer nestes dias assim mais fresquinhos. :)

    Também acho a Baixa muito deprimente…e trabalhei lá uns anos, mas nessa altura ainda era muito animada. Agora é uma verdadeira tristeza, tudo velho e pobre e decrépito. Não sei qual é a solução, mas também não se pode correr aqueles lojistas dali, não é? Até porque aquilo é que é o verdadeiro encanto da Baixa. Fosse uma Câmara decente e arranjava os prédios e fazia daquilo uma zona bem bonita e que daria vontade de nem que fosse só passear por lá!

    Entretanto vi a actualização do Ludo Tech no meu bloglines, olarilolé, já vai haver mais guerra pelo pc aqui de casa 😉 Mas em breve isso fica resolvido, e não, não é com o Magalhães :DDD

    Um bom ano para si também, minha amiga. :)

    Ui, a Méri já está a repor a verdade dos factos, viste, Pal? Tiveste anoraks sim senhora, ora viste…tss, tsss…

    E esses de botões e triângulos de couro, são canadianas, Méri, ah tão giras, olha lá está, dessas nunca tive (eram caríssimas penso eu) mas achava-as (e ainda acho) lindas. :)

    Só para veres o efeito se fossem às cores, uma designer portuguesa do SL, criou-as lá e podem vestir-se, ora vê neste link:

    http://mgfashion.blogspot.com/2007/11/im-back-and-brought-some-new-stuff.html

  14. meri

    O link é girissimo!
    Também continuo a gostar imenso e também não as tive (nem os filhos) por serem mesmo muito caras. Mas confesso que não me lembro nada, nada de lhes chamar canadianas! Continuo a achar que lhes chamava anoraks… mas se calhar é por ser aqui no puorto.

    Olha tenho-te que te dizer que aqui neva há mais de cinco minutos farrapinhos de neve como nunca vi por estas bandas! São mesmo farrapinhos que se desfazem rapidamente mas se isto continua…
    Tentei tirar fotos mas parece que nã deu nada, já vou ver (agora tenho o carregador da máquina a carregar – se vem um nevão a sério não vai ficar registado!)

  15. catarina

    Ela faz coisas mesmo muito giras.
    Pois eram caras e acho que ainda são, porque já as vi em lojas para miúdos e são uma fortuna. Agora se calhar no Puarto chamavam-lhes anoraks! Que curioso!

    Tu tira pics, melher, tu tira pics, não percas essa oportunidade! Por aqui NADA é só sol, olha que coisa, quando é preciso não aparece e agora que se pedia uma nevezinha, raspas! Nem raspas aliás!

  16. Tiago Taron

    As matinés do Quens de Cascais e as do Zigzag no cruzeiro no Monte. Máquina do tempo, vrrrrrum. Entre os Anouraks e os Kispos houve uma subespécie no Verão de 79 ou 80 de uns casacos / balões que pareciam de papel e se inchavam com o vento, eram uma espécie de escalpe de anourak, só com a pele, sem as penas e sem os forros e que depois de dobrados quase cabiam num maço de cigarros (na altura fumava provisórios, um maço às riscas amarelas e vermellas, que trazia 25 cigarros e eram mais finos e sem filtro e tinham desenhos nas murtalhas). Fim da matinê do Quens, um anourak apertado até às orelhas, uma bicilete sem mudanças comprada em segunda mão a uns ingleses por anúncio do APN, o maço de provisórios no bolso e rumo ao Guincho.

  17. catarina

    Ah Tiago, tal e qual! E alguns desses eram mesmo dentro de saquinhos com fecho, não era? Lembro-me perfeitamente desses blusões e do material de quem eram feitos!

    Eu nessa altura não fumava :)

    Muitíssimo obrigada por essa memória, tão coincidente com as minhas. :)

  18. Crezia

    Estava agora a ver. Eu tive uma canadiana que ainda hoje me fica enorme, aos 14 anos não sei como andava com aquilo. Mas era um bocadinho estilizada, os botõs eram redondos e de metal. Dessas com triangulos e do link tenho agora uma que comprei um ano passado na Mango. Tradicional mas maneirinha para senhora. Os “pipinhos” (isso deu jeito méri) não são em madeira, mas têm o formato que se quer.

  19. catarina

    Crezia, samarra, eu também adorava, mas nunca tive. Pois, cá me parecia que as canadianas tinham regressado, mas não sabia que tb havia pra nós! (tss tss, que falta de atenção…). Na volta ainda satisfaço o meu desejo juvenil, se encontrar uma 😀

  20. Afonso Loureiro

    Ah! Saudosos tempos de escola em que as colegas mais “na moda” insistiam em andar todo o ano, com sol, frio ou chuva, de anorak Naf-Naf cor de vinho enfiado dentro das calças Uniform (qualquer outra marca era chunga).

    Depois veio a moda das camisolas Amarras e, durante uns tempos, era ver os Naf-Naf enfiados nas Uniform, mas bem abertos para se ver que a camisolinha era Amarras.

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