100nada

O meu tempo 100nada

Cada vez tenho menos. Tempo sem nada. Não é que não tenha tempos mortos, inactivos, tenho. Às vezes prolongam-se tanto que conto minutos, passou um, passou outro, só passaram cinco? Esses são longos, cansam-me. Não é tempo sem nada, esse é tempo cheio de vazio, cheio de alternativas melhores que não acontecem. Porque não dá, não calha, por inércia também, por querer encher esses minutos que não passam com tralha rápida, que distraia do próximo minuto. Tempo vazio não é tempo que se escolhe não ter nada.
Esse é este, quando se pára o relógio porque se quer. Pára o relógio, pára tudo porque se quer. E dá, obviamente; normalmente não coincide, daí que cada vez tenho menos
ou não, ou não.
Talvez sinta que tenho menos por ter mais do outro. E agora oiço um coro de mins
Isso é a tua escolha, oh parvalhona!
E todas elas têm razão, todas as eus de antes. Todas as eus alternativas de agora. Todas as eu de depois. Todas menos eu, esta que se queixa
Não te queixas, oh estúpida! Aí é que está!
Que não se queixa, certo. Isso é que está fora de questão.

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