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Avatar, o filme: A fauna e a flora de Pandora

Eu nem sabia que era em 3D e muito menos que era em 3D Digital que é a mesma coisa que 3D, excepto que é um avanço tecnológico e os óculos são muito mais fixes. A sério. Quando se vai para o intervalo e se dá a volta ao balção para comprar as pipocas (os nachos) a um empregado que não tem uma fila de 20 pessoas e se volta para dentro da sala e tá toda a gente com os óculos postos, é mesmo giro, ver aquela gente toda mascarada de Aristóteles Onassis: os óculos são das melhores coisas do filme.

Aliás, são mesmo os óculos que são a parte mais importante do filme Avatar. Embora eu não soubesse que era em 3D e até tivesse ficado um nadinha de pé atrás, não fosse em 3D e o filme era
“uma xaropada”, diz ele “uma xaropada que não se aguenta”
era menos, vá, menos bonito.

O filme é mesmo bonito. É lindo. Lindo. Ele é florestas e plantas flutuantes até ao cabelo do senhor da fila da frente, e bichos aliens a correrem mesmo direitinhos a nós e mais coisas flutuantes e voadoras e com dentes e sem dentes tudo ali em cima dos espectadores até lá diante ao ecrã e os óculos não fazem confusão nenhuma. Espectacular. Lindo de morrer. O som fantástico também, as flores e os rinocerontes azuis e muito coisa cor de rosa e malva e roxa e fluorescente de noite e essa coisa toda e eu a dar o desconto até ao intervalo, tá bem, mas é para maiores de 6 anos, é uma história simples, é isso.

Mas no fim lá dou a mão à palmatória. Não é para maiores de 6 anos, que a violência é um bocado, vá, violenta, enfim. Eu sei que os putos hoje em dia são menos crianças, mas o meu cá de casa, que iria adorar o 3D, se calhar espero até ao filme que aí vem dos dinossauros também em 3D digital e escusa de estar ali a ver aquela gente azul toda a morrer. Tá bem, são aliens, mas porra, não são bem bonecos. E a mensagem, bom a mensagem também sinceramente, vou ali e já venho, porque não obstante os bons ganharem, a verdade é que ganham porque a mãe natureza lá aceitou as preces e tal; não é exactamente o selvagem azul de tanga, arco e flechas a ganhar ao sacana psicopata da metralhadora, quem ganha é mesmo a árvore branca que fica a modos que arroxeada (é lindo de morrer) à noite. Como mensagem, sinceramente, é mais bolos.

E depois, enerva-me solenemente que andem a limpar com uma borracha os cigarros do Bogart, mas se o Cameron resolve meter a Signorney Weaver a fumar de uma ponta à outra do filme, já é para 6 anos. Ah não, afinal nos EUA é para maiores de 13, portanto só nos filmes para adultos mesmo é que o fumo é proibido, tá certo. Cá somos muito mais tolerantes e achamos tudo bem e sempre dá mais algum a arrecadar à Zon Lusomundo meter a coisa para M06.

Enfim, teria ido depois de saber isto? Teria, claro. O filme é lindo. Lá isso é. Como documentário sobre a fauna e a flora de Pandora, sim, sem dúvida. A história é a coisa mais básica e banal do mundo, nada de novo ali, incluindo a cena da floresta com as máquinas contra os selvagens, coisa que o George Lucas já inventou há vinte anos pelo menos.

Trocado por miúdos: o argumento é uma boa merda (mas o filme é lindo).

7 thoughts on “Avatar, o filme: A fauna e a flora de Pandora

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  3. CARLOS MACIEL

    “uma merda de filme” história banal !
    A banalidade histórica dos “realmente nativos” americanos( indios) que a metáfora ou analogia do filme mostra. Sem mencionar os Maias. O tema mais bananal do mundo, que é a destruição do que temos de belo em troca de dinheiro( sem comentar que este vem para poucos).
    TRISTE final eu até entenderia, pois sem perceber ficamos realmente a favor de outra espécie e com ódio da nossa !
    O que na banalidade , acaba sendo verdade, pois acabo de ficar com raiva de seu pensamento
    que não vai mais a fundo , além dos efeitos do filme!

  4. CARLOS MACIEL

    Ler é uma coisa Não nata da especie humana, temos que aprender. E….. para os que tem dificuldades, há sinalizações em aeroportos , desenhos em fim há coisas que para perceber deve-se fazer ” um filme com efeitos, para mostrar aos que não percebem o que acontece. mas tem pessoas que nem desenhos e sinalizações sabem ver

  5. catarina

    Caro Carlos Maciel, muito obrigada pelo seu comentário. Obviamente discordamos no que respeita à opinião sobre o filme mas uma coisa concordo em absoluto: há gente que não sabe ler. Posts, no presente caso. Feliz Natal para si.

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