Espanta-espíritos
Vim assim a pensar devagarinho
(sei que é tão tarde e eu a querer tanto roubar as horas ao sono para escrever hoje, não sei a razão, porque tem que ser, imagine-se que depois já não escrevia, tem que ser hoje)
devagarinho e aqui, sim, porque não, uma vez só de vez em quando
a pensar devagarinho, em bicos dos pés (como quando não os queremos acordar a meio da noite)
já sobram pernas e braços e ainda se aninha em abraços de colo porque é um rapaz ainda pequeno, que dá a mão à mãe na rua sem vergonha, embora já não chore quando bate com os pés e os cotovelos nas portas quando passa a correr, e me diga
(e é por isto que escrevo hoje e aqui)
se eu morrer antes de ti
(eu sobraçava)
depois ficas cá e eu fico aqui e aqui e aqui
e coloca o indicador na minha testa e no meu coração
e o terceiro aqui é ele a rir-se muito no meio da sala.
- Ouvi no CCB há duzentos milhões de anos
- Nunca me lembro do que escrevi
ui
lindo
Se tenho medos obscuros, recônditos, recalcados mas latentes, esse é o maior de todos, apre!
E, contudo, ou por isso mesmo, gostei tanto deste seu/teu texto!
Lindo, parabéns! Bjis
nãovouchorarnãovouchorarnãovouchorar
(obrigada por esta partilha)
Gosto muito.
muito fofo o rapaz : )
o meu fala da nossa morte (pais) com a maior das naturalidades, encarando que, óbviamente, será antes do que a dele (os deuses o queiram); é sempre a propósito de heranças: …se quando tu morreres mãe, fica tudo para mim, posso já levar todos os livros do harry potter para o meu quarto? …
Foi por causa destes textos lindos que fiquei com imensa pena do fim anunciado do “do amo-te”.
lindo, lindo : )
Cristina
Tenho saudades vossas. E de ler as coisas bonitas que tu escreves sobre o teu menino.
Pois… é aquele nó na zona da garganta com que saímos da sala de partos e que nunca mais se desfaz; aquilo que faz com que, desde então, nunca mais tenhamos um sono como dantes; o aperto no peito a cada beijinho de “bom dia de aulas”, de “até já” ou de “boa noite, até amanhã”…
Texto lindo.
O texto é muito bonito sim, mas ele está a dizer-te que está a tomar conta de ti. È lindo sim, mas é suposto na idade dele carregar essa responsabilidade? desculpa a frontalidade mas gosto de vocês.
Muito obrigada pelos comentos.
ana, minha querida, uma vez que colocas essa questão da responsabilidade. E é um facto que ele quer tomar conta de mim, eu sei. E toma em certas coisas. Ele quer partilhar (e aliviar-me). Se é suposto? Não sei. Quantas famílias conheces como a minha? Eu só conheço esta mesmo. Cada uma é diferente e a monoparentalidade tem coisas diferentes das famílias tradicionais, é uma relação mãe-filho a dois, sozinhos no mesmo barco. Mas é uma criança equilibrada e feliz e é isso que me interessa.
sim eu sei que é feliz! mas tenho aquele defeito de querer que as crianças só tenham coisas boas e leves enquanto são crianças. Não sabes como te admiro.
Olha aqui mais uma Cat 😉 … amei o texto!!! E a monoparentalidade tem coisas diferentes da monoparentalidade, de certeza, mas é engraçado que termino sempre (porque o vou questionando
) exactamente da maneira que terminaste “é uma criança equilibrada e feliz” e acrescento por isso acho que tou a fazer um bom trabalho. Tamos de certeza, beijú !!!